Todo Mundo Tem uma Avó Preta: de Volta à Terra da Magia e Mestiçagem

ue emoção estar de volta.” Eu penso comigo mesmo enquanto saio rapidamente do aeroporto para o calor abafado da manhã e entro em um Uber esperando. Me sinto como um veterano nisso tudo. É a minha terceira vez no Brasil e a segunda na cidade de Recife, Pernambuco: vim aqui há quase um ano para o carnaval de Olinda, a cidade histórica situada na costa atlântica do Brasil desde 1535. Foi a única vez na minha vida em que as faltaram palavras. Descrever a magia do carnaval pernambucano no Brasil vai muito além dos meus talentos como escritor e não vou tentar fazê-lo aqui. Basta dizer que eu estava ansioso para voltar. Meu português sai da minha boca como se seu fosse acostumado a falar regularmente e pergunto ao motorista onde eu posso comprar fantasias para vestir nos próximos dias. O carnaval é coisa de outro mundo, e certamente não vou participar apenas como eu mesmo.

Indo embora, olho para o aeroporto atrás de mim. GILBERTO FREYRE, diz um grande letreiro verde. Eu lembro esse nome. Eu não sabia que o aeroporto era nomeado em homenagem ao renomado antropólogo e sociólogo. Aparentemente, ele nasceu e morreu aqui nesta cidade. Seu trabalho mais conhecido, Casa-Grande e Senzala é considerado um trabalho capital de extrema importância sobre a formação da sociedade brasileira desde a sua publicação em 1933. Devo confessar que nunca o li, embora eu esteja familiarizado com sua essência. Nele, ele exaltava o Brasil como uma democracia racial e louvava a virtude da miscigenação que caracterizava a sociedade brasileira desde os seus primórdios como uma vasta colônia extrativista de Portugal, um destino para os indesejáveis ​​desse país — seus ladrões e assassinos e para os prisioneiros de guerras e ataques escravagistas na África Ocidental

“Todo brasileiro, mesmo o alvo de pele clara, traz na alma, quando não na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta do indígena ou do negro, na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos, quase todos, a marca da influência negra.” -Casa Grande e Senzala

A primeira vez em que pisei no Brasil, eu tinha 25 anos de idade, jovem e arrogante, armado com um ano de estudo de português, um conhecimento superficial do país e uma verdadeira empolgação por festas de baile funk. Enquanto viajava pela costa do país por um período de cinco semanas, fiquei irremediavelmente apaixonado por sua música, sua cultura, sua língua. E, ao mesmo tempo, surgiu um sentimento desconfortável de que algo não estava certo, de uma maneira que eu não conseguia entender, e que esse lugar era diferente de qualquer outro que eu já estive antes.

Ao curtir festas com pessoas mais abastadas das cidades litorâneas, onde eu normalmente era a única pessoa negra que não estava trabalhando naqueles locais, percebi que neste país se parecer comigo era obviamente pertencer a uma casta mais baixa.

Voltei à minha primeira amiga brasileira, uma mulher parda que conheci em Nova York. “Você acha que existe racismo aqui no Brasil?”

“Brasil? Aqui? Você é louco? Todo mundo é igual.”

Quanto mais eu tentava entender, menos eu conseguia. Quando um homem pardo com quem eu fiz amizade com São Paulo reclamou para mim que o PT instituía políticas que “permitiam a entrada de estudantes negros não qualificados nas universidades”, falei para ele: “Mas Julio, você é negro mano!”

Ele me bloqueou no Instagram e no Facebook. Eu fui bloqueado no Instagram algumas vezes na minha vida, com certeza. Mas você realmente precisa odiar alguém para bloqueá-lo no Facebook. O que tem na água aqui, que um cara que parece preto se sente insultado quando você diz isso a ele?

Fiquei obcecado com o assunto, lendo e entrevistando quem quisesse falar comigo. O que eu aprendi me perturbou. Soube de um país que foi o último a abolir a escravidão, cuja elite determinou que a maneira de apagar o caráter negro do país era pagar para que pobres camponeses europeus imigrassem para o país incentivando-os a se “misturar” com os habitantes locais, com o intuito de os que genes europeus “superiores” dominassem e absorvessem o negro. E assim a população de pessoas racialmente indeterminadas de aparência única que me fascinaram tanto não foi o produto de algum daltonismo utópico, mas de um desejo incutido em sucessivas gerações de embranquecer suas linhagens e “melhorar a raça”. Esse desejo resultou na falta de uma identidade africana e na rejeição da negritude, em um país que se beneficia tanto da cultura africana.

A Família Brasileira Tradicional

gora, , dois anos desde a minha primeira vinda, estou aqui mais uma vez. É a primeira noite de carnaval. Coloco uma capa com capuz vermelha e vou para as ruas de Olinda. Está cheio de pessoas, jovens e velhas, visitantes e habitantes locais alegrando e possibilitando a alegria. E talvez seja apenas eu, mas algo parece diferente. Existem mais blacks, dreadlocks e tranças por aí? Ou eu que estou procurando por eles?

“Pela seleção natural […] o tipo branco irá tomando a preponderância até mostrar-se puro e belo como no velho mundo” — Silvio Romero

Penso nessas palavras de um antigo intelectual brasileiroque li em algum lugar e ri comigo mesmo. É lindo com certeza, mas não como no velho mundo. Desculpe, Silvio. Eu absorvo tudo enquanto me alimento num fluxo constante de Skol. Eu acabo conversando com um cara daquele tipo músico com um coque no alto da cabeça.

“Eu sou nigeriano.”

“Eu amo a música de vocês!”

Humm, isso é novo. Os brasileiros nem parecem ouvir música americana, imagine música nigeriana. E com certeza, eles normalmente não sabem nada sobre a África.

Ele me apresenta aos amigos dele. Rafael. Bia. Natália. Eles são intelectuais da política na capital, Brasília. “Nós somos petistas.” o Rafael me diz. “Lula Livre!” eu respondo, fazendo um sinal de L com o polegar e o indicador.

“Bem vindo ao Brasil!” Rafael grita. Eu passei no teste. Em tempos polarizados como esses, não se faz amizade sem pré-estabelecer que você não é um escroto da direita. “Você votou em quem?” perguntam várias plaquinhas e fantasias que eu vejo.

Ao longo da semana, o sentimento que tenho de uma consciência social mais alerta fica mais forte. O tema raça e racismo está na boca de todas as pessoas que conheço, novos amigos ou velhos, branca e carioca, pardo e nordestino, motoristas de Uber e vendedores ambulantes que me vendem cerveja.

“Nós somos miscigenados demais. Todo mundo tem uma avó negra.” me diz uma garota preta que acabei de conhecer chamada Madara, enquanto caminha suavemente, ao meu lado e de seus amigos, se distanciando da casa que estamos compartilhando em direção ao centro da cidade. Peço que ela elabore. “Essa miscigenação é apenas mais uma dimensão da dominação branca em tudo, incluindo corpos pretos.A miscigenação no Brasil começou através do contínuo estupro de mulheres negras. E então se deu o plano para enbranquecer a população brasileira através da miscigenação, assim cada próxima geração seria mais branca que a anterior e dessa forma o Brasil poderia se ver livre da população preta. Por causa desse processo de embranquecimento muitas pessoas que não têm a pele retinta não se consideram negras, a questão do colorismo aqui é muito delicada também…”

Eu aceno concordando com a cabeça. Não digo isso a ela, mas fiquei surpreendido quando a conheci. Especialmente no nordeste, raramente encontro brasileiros que se parecem exatamente comigo, um africano. Muitos aqui, apesar de serem considerados negros, ainda parecem ter pelo menos um pouco de mistura indígena ou européia visível. Penso também em todos os brasileiros que conheço, muitos dos quais mencionam que tinham uma avó que se pareceu comigo e que quase sem exceção sempre têm parceiros e filhos mais brancos do que são, uma observação me lembra daquele quadro repugnante do Modesto Broncos, com o qual eu nunca soube lidar.

Mais tarde, eu vou visitar minha amiga Amanda na casa do namorado dela. “Minha avó era muita preconceituosa. Ela nos dizia que a gente deveria se relacionar apenas com brancos porque negro não era gente” ela conta para mim e o Max, que é preto. Ela também me disse há alguns dias que sua avó era negra. A mesma avó? Avó diferente? Quem sabe? É o Brasil. Mais tarde, peço para que ela me conte a história completa. “Eu tenho uma avó negra que eu não conhecia. Minha outra avó nasceu em 1918. Seu marido nasceu em 1886. Dois anos antes da abolição. Ele nasceu em uma família de proprietários de escravos e foi criada por uma mulher escravizada. E então acho que minha avó bebeu profundamente daquela fonte. Nós tentávamos corrigi-la quando ela dizia essas coisas, mas ela estava muito certa dos seus pensamentos.”

Pergunto à outra mulher na casa sobre o incomum sobrenome alemão dela. “Acho que minha bisavó era prostituta no porto e meu bisavô era marinheiro alemão.” ela me diz com naturalidade. Eu olho para ela, cachos castanhos soltos, olhos claros, nariz largo e pele marrom escura. Ela é ao mesmo tempo africana e européia e nada disso. Ela é brasileira. Esta é a história deste país. Pessoas lindas, histórias sórdidas.

Vejo a icônica camisa de futebol nigeriana da Copa Mundial de 2018 uma ou duas vezes. “Você sabe o que isso significa?” Eu digo ao meu amigo Kali. “A gente ta entrando na sua consciência”. Ela me apresenta a um amigo.

“Eu sou nigeriano.”

“Ah! Eu amo! O povo iorubá!

É bem diferente essa vez.

eis dias depois, estou sofrendo tanto de febre quanto de uma ressaca física e moral. Houve um tempo em que eu poderia festejar seis dias seguidos sem me derrubar, e parece que esses dias acabaram. A Bia me convida para me juntar a ela e a suas amigas em Porto de Galinhas, uma cidade turística à beira-mar a uma hora de distância. Eu acho o nome bonito. Alguém me explica quando eu chego lá que, no período após os britânicos abolirem a escravidão e sua marinha patrulharem o Atlântico, os escravagistas declaravam que seus navios estavam trazendo galinhas para o porto e certamente não pessoas escravizadas, e assim o lugar ficou conhecido por esse apelido. Até hoje, os brasileiros têm uma expressão “pra inglês ver” — para descrever o ato de fingir fazer algo que você prometeu fazer, mas não está fazendo, ou está fazendo algo apenas em teoria, como acabar com a importação de escravos. É claro que, durante esse período, o esquadrão antiescravagista britânico estava patrulhando as águas do outro lado deste oceano, na costa da cidade onde nasci, tentando,e algumas vezes falhando, interceptar os navios negreiros. No final, eles decidiram intervir e bombardearam Lagos, depondo o Oba Kosoko, o rei que suportava o comércio de escravos e instalando o Oba Akitoye que prometeu acabar com isso. Foi o primeiro passo na criação do país que seria conhecido como Nigéria e é por isso que falo inglês nativamente. Meu país e este país estão ligados muito mais profundamente do que a maioria de nossos povos, nos dois lados do Atlântico, sabe.

Passo os próximos três dias em recuperação, em praias pitorescas e piscinas naturais, saindo com esse grupo de jovens politicamente ativos de Brasília. Com exceção de Rafael, eles são todos mais jovens do que eu. Eles estão constantemente conversando entre si, sobre todas as coisas sérias e triviais, rindo, brincando, brigando, como fazem bons amigos. Eles falam tão rápido e é difícil acompanhar a conversa quando eles não falam comigo diretamente. Começo a pontuar minhas frases da mesma forma que eles fazem, com mano, velho, tá ligado?, o que eu acho que me faz parecer legal como eles, mas provavelmente soa ridículo vindo de um gringo. Percebo que eles usam o diminutivo em muitas palavras — bem quentinha, bem geladinha. Estou começando a pensar em português. Pensando nisso, faz uma semana que eu não falo inglês.

Além do curso avançado de português, também participei de aulas sobre política e sociedade brasileiras. Rafael, um cientista político que trabalha na capital para o principal partido de oposição de esquerda do país, me ensina sobre os muitos aspectos incompreensíveis ​​da política brasileira. A aliança profana entre políticos corruptos, evangelistas da pregação do evangelho da prosperidade, influências de direita estrangeira, fornecedores de fake news, capital internacional que busca bens baratos por meio de esquemas de privatização, milícias urbanas — organizações paramilitares geralmente compostas por ex-policiais que realizam atividades de vigilância contra quadrilhas de traficantes, enquanto fazem sua própria parte no narcotráfico e no crime organizado. Esses são apenas alguns dos vilões de uma saga que deixou o Brasil com uma bagunça violenta, economicamente estagnado, dividido culturalmente e politicamente fraturado que faz os EUA parecerem utopia e encabeçado por um cara ainda mais caricato , incompetente, racista e misógino.

Mas ainda não entendi. Como um país que tirou milhões de pessoas da pobreza sob o governo Lula decidiu se mover tão longe na direção oposta? Ele explica algumas das forças sociais em jogo, incluindo a poderosa base evangélica, a inundação deliberada de fake news nos telefones do eleitorado via WhatsApp e um recurso peculiar da sociedade brasileira, segundo o qual a velha classe média se ressente da melhoria do status da mais nova classe média menos branca, como exemplificado por comentários reclamando que os aeroportos agora se parecem com uma rodoviária porque muita gente pobre agora tem condições financeiras de pagar pelos vôos. Apesar das peculiaridades únicas, fico impressionado com a similaridade do ressurgimento da direita aqui e no país em que vivo.

A Bia me conta sobre pesquisas que está prestes a começar sobre o efeito das políticas do Banco Mundial na educação do cidadão brasileiro. Como todos sabem, ela me disse (e me dei conta que só aprendi isso recentemente), as crises das dívidas das décadas de 1980s e 1990s permitiram que organizações multilaterais como o Banco Mundial e o FMI exigissem reformas estruturais nos países devedores da África e da América Latina. Assim, a educação no Brasil foi destruída, reduzida à matemática básica e ao português.

“Por quê?” Eu pergunto. “Por que eles querem isso?”

“Criar um tipo diferente de força de trabalho. Mão-de-obra barata para o mercado internacional.”

Lembro que há dois meses atrás, eu estava em uma pequena vila no sul do Senegal, do outro lado do oceano, conversando com um russo sobre isso.

Falamos muito sobre raça e preconceito. Eu já li muito sobre isso e certamente eu observei e senti sua presença no meu tempo no país. Mas eu realmente não entendo da maneira como entendo sua variante americana. Discutimos as diferenças na formação das duas sociedades pós-escravidão. Nos Estados Unidos, o desejo racista de manter a “pureza” branca levou à separação dos dois. A violência que começou com a Guerra Civil fez com que houvesse duas sociedades separadas, em conflito, uma oprimindo a outra, mas facilitou a organização e a luta.

Aqui, por outro lado, o sinistro plano de absorção falhou em livrar-se dos negros como pretendido, mas criou essa massa de afro-descendentes, que diferem muito em características físicas e também reivindicam ascendência européia e indígena. Portanto, o racismo é mais fenotípico, menos baseado na cultura. Há pouca cultura mainstream distinta que se possa dizer exclusiva do Afro-Brasil. Suas contribuições culturais foram reivindicadas pela nação como um todo. De fato, não existe comunidade afro-brasileira. Foi o que fez o Gilberto Freyre, higienizando o passado sórdido colonial escravagista e vestindo-o como uma história reconfortante para a nação acreditar em si mesma, minimizando qualquer outra identidade que não seja a “brasileira” e permitindo à sociedade fingir por tanto tempo que não havia tal coisa como racismo. Isso tornou impossível a organização, porque a raça é fluida e muitos anseiam escapar dos limites de fazer parte da raça oprimida e estigmatizada. Cabelos lisos o suficiente, menos traços africanos e com dinheiro suficiente, você começa a se chamar do que quiser e a sociedade educada irá conviver.

A solução é a maior americanização do pensamento racial do país? Para avançar em direção ao binário preto / branco? Segundo Rafael, o Movimento Negro parece pensar assim. Há um movimento pequeno, mas crescente, no país, de homens e mulheres negros que optam por se identificar como tal e até levam nomes africanos da Nigéria ou do Congo. Curiosamente, existem pensadores (geralmente de raça mista) nos EUA que lamentam o binário duro dos EUA e provavelmente se sentiriam mais à vontade no fluido sistema brasileiro. Não sei qual é a resposta. Mas acho que quanto mais as pessoas aprendem história e como chegaram aonde estão, mais podem examinar criticamente as narrativas em que foram formadas. E também eu compartilho o conhecimento que tenho sobre de onde venho e a ligação com o país deles. Partilho meu conhecimento da terras dos Iorubas no século XIX, o tempo das guerras que abasteceram os navios negreiros. Esse é o conhecimento que adquiri apenas recentemente, procurando entender as condições que levaram a essa farsa.

No momento em que saio, minha imersão na cultura brasileira é tão completa que meus amigos chegaram a explicar os memes e vídeos virais comuns com os quais todos os brasileiros de uma certa idade estão familiarizados. Este foi o momento em que eu me senti mais próximo de ser brasileiro . Provavelmente nunca vou entender completamente esse país como um nativo, mas sempre voltarei, melhorando meu português, conhecendo novas pessoas que me dão fé, rejeitando os valores de uma sociedade racista e melhorando esse entendimento.

Na manhã da minha partida, vou ao terminal para esperar um ônibus para o aeroporto. Uma mulher bem velha está sentada e eu me sento ao lado dela.

“Há um angolano que veio na semana passada.” Ela me diz, mencionando que ele vende uma coisa ou outra.

Eu encolhi os ombros. E dai? O que isso tem a ver comigo?

“A cor da pele”. Ela aponta para o meu braço.

Encolhi os ombros novamente, lembrando-me de não ser grosseiro com as velhinhas.

Ela sai lentamente para pegar o ônibus. É isso.

Penso no que alguém me disse em algum momento desta viagem, quando perguntei como ela se sente sobre seu país.

“Eu amo o Brasil, apesar de Bolsonaro, apesar da política racista desde a colonização, apesar dos genocídios e do machismo. Eu amo o Brasil porque os governos passam e tentam nos derrubar, mas nosso povo continua construindo a nossa história. A cada carnaval, as pessoas mais oprimidas brilham e mostram o que fazem. Quem faz o verdadeiro carnaval são os negros, os pobres e as mulheres.”

Eu também, eu disse, eu também.

Eu também, eu disse, eu também.

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